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Dicas da Nonna

7 coisas que parecem normais na cozinha brasileira, mas não fazem sentido na Itália

6 de outubro de 2026

Por Galbani

7 coisas que parecem normais na cozinha brasileira, mas não fazem sentido na Itália

Brasil e Itália têm uma relação tão próxima à mesa que algumas receitas já parecem pertencer às duas cozinhas. Mas basta olhar com atenção para perceber que os hábitos nem sempre viajaram junto com os pratos. A culinária italiana costuma valorizar poucos ingredientes, técnicas bem definidas e até uma ordem própria para cada comida chegar à mesa.

Isso não significa que exista um jeito “certo” de comer – muitas adaptações brasileiras nasceram justamente do encontro entre culturas. Ainda assim, há costumes tão incorporados ao nosso dia a dia que provavelmente fariam uma nonna italiana levantar a sobrancelha. Do creme de leite na carbonara ao ketchup na pizza, separamos sete bons exemplos.

1. Colocar creme de leite na carbonara

No Brasil, é muito comum recorrer ao creme de leite quando a intenção é deixar um molho mais cremoso. Por isso, ele acabou entrando em inúmeras versões de carbonara. Na receita tradicional italiana, porém, aquela textura sedosa nasce da emulsão entre ovos, queijo, gordura do guanciale e um pouco da água do cozimento da massa, sem precisar de creme de leite.

Isso não impede ninguém de adaptar a receita em casa, claro. A diferença é de identidade: ao acrescentar creme de leite, o resultado pode continuar gostoso, mas se afasta da lógica do carbonara tradicional. É aquele tipo de mudança que, na cozinha brasileira, passa quase despercebida e, na italiana, chama atenção logo na primeira garfada.

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2. Cozinhar o macarrão até ficar bem mole

Por aqui, ainda existe quem associe macarrão pronto a uma massa completamente macia. Na Itália, o ponto mais valorizado é o al dente: cozido por fora, mas ainda com uma leve resistência ao morder. O cuidado é importante porque a massa normalmente ainda passa alguns instantes em contato com o molho antes de chegar ao prato.

Por isso, deixar o macarrão cozinhar até perder totalmente a estrutura pode significar passar do ponto. E, quando a massa está firme, ela também suporta melhor a finalização na panela. É nessa hora que um pouco de Queijo Parmesão Ralado Galbani pode entrar para completar o prato.

3. Quebrar o espaguete para ele caber na panela

A cena é familiar: o espaguete é maior do que a panela, então basta parti-lo ao meio antes de jogar na água. Prático? Sim. Italiano? Nem tanto. As massas longas foram pensadas justamente para serem consumidas com aquele comprimento, enroladas no garfo. Quebrar o espaguete muda essa experiência e ainda pode deixar pedaços de tamanhos diferentes.

O truque italiano é mais simples do que parece: coloque os fios inteiros na água fervente e espere alguns segundos. A parte submersa começa a amolecer e permite que o restante seja empurrado delicadamente para dentro da panela. Se a vontade é comer uma massa pequena, a lógica é escolher penne, rigatoni ou outro formato curto em vez de transformar um espaguete em um.

4. Colocar óleo na água para o macarrão não grudar

Uma colherada de óleo ou azeite na panela de macarrão é quase um conselho de família em algumas casas brasileiras. Só que, para a técnica italiana, o caminho para evitar fios grudados é outro: bastante água, panela de tamanho adequado e algumas mexidas principalmente no começo do cozimento.

O óleo fica na superfície da água e não resolve o problema como muita gente imagina. Além disso, pode deixar a massa mais escorregadia e dificultar a aderência do molho. No preparo do macarrão al dente, água fervente e sal já dão conta do trabalho.

5. Escorrer toda a água e simplesmente despejar o molho por cima

Macarrão em uma travessa, concha de molho por cima e pronto: esse jeito de servir faz parte de muitas macarronadas brasileiras. Na cozinha italiana, porém, massa e molho costumam se encontrar antes de chegar ao prato. A massa sai da água ainda firme e termina o preparo na frigideira, onde absorve sabor e fica melhor envolvida pelo molho.

E existe um ingrediente que muita gente joga pelo ralo justamente quando mais precisa dele: a água do cozimento. Rica em amido, ela ajuda a ligar os ingredientes e ajustar a textura. É uma técnica que explica por que molhos italianos podem ficar cremosos mesmo sem depender de grandes quantidades de creme de leite.

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6. Servir o macarrão como acompanhamento da carne

No prato brasileiro, não causa estranhamento encontrar macarrão ao lado de carne, arroz, salada e outros acompanhamentos. Em uma refeição italiana mais tradicional, a organização é diferente. Massas, risotos, nhoques e sopas entram no primo piatto, enquanto carnes e peixes aparecem depois, no secondo piatto.

Ou seja: aquele espaguete colocado ao lado do bife desempenha outro papel na Itália. A própria ordem dos pratos em uma refeição italiana ajuda a entender por que a massa pode ser protagonista por alguns minutos e, depois, ceder espaço para a proteína. Não é necessariamente uma questão de comer mais, mas de separar os momentos da refeição.

7. Colocar ketchup na pizza

Poucas diferenças gastronômicas entre brasileiros e italianos rendem tanta conversa quanto essa. No Brasil, colocar ketchup na pizza é um hábito perfeitamente normal para muita gente. Na Itália, embora não exista nenhuma “proibição” oficial, a combinação é tradicionalmente malvista porque a pizza já chega à mesa com seu próprio molho e com uma composição pensada para equilibrar os ingredientes.

A lógica italiana tende a ser a do menos é mais: massa, molho e poucos ingredientes bem combinados. Uma margherita feita com tomate, manjericão e um queijo como o Queijo Mozzarella Fatiado Galbani, por exemplo, já parte dessa ideia de simplicidade. Entre tantas diferenças entre Brasil e Itália, talvez essa seja uma das mais divertidas: para nós, o ketchup pode ser só mais um molho; para uma nonna tradicional, ele provavelmente nem chegaria perto da mesa.

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