Na Itália, setembro não significa apenas a despedida do verão. Em boa parte do país, o mês também lembra cestos cheios de uvas, trabalho entre os vinhedos e mesas preparadas para celebrar uma das tradições mais importantes do calendário: a vendemmia, nome italiano dado à colheita das uvas. E, em uma cultura na qual comida, território e tradição caminham lado a lado, é fácil entender por que esse período vai muito além da produção de vinho.
As datas da colheita mudam de acordo com a região, a variedade da uva e as condições climáticas de cada ano. Algumas começam ainda em agosto, enquanto outras seguem por outubro ou até novembro. Ainda assim, setembro costuma ocupar o coração desse calendário e, por isso, tornou-se um mês especialmente ligado à cultura do vinho e à gastronomia italiana. Em 2026, por exemplo, o calor antecipou a colheita em diversas áreas do país, mostrando como o clima também interfere diretamente nesse ritual.
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Vendemmia é muito mais do que simplesmente colher uvas
A palavra vendemmia se refere à própria operação de colher as uvas, principalmente aquelas destinadas à produção de vinho. É nessa etapa que termina um longo ciclo iniciado meses antes nos vinhedos e começa outro, dentro das cantinas. Não por acaso, falar sobre esse período também é falar sobre uma bebida que está profundamente ligada à mesa italiana, já que muitos pratos tradicionais do país são feitos para harmonizar com suas variedades.
E setembro ganha importância justamente porque muitos desses tipos de uva chegam ao ponto de colheita nesse período. Não existe, porém, uma única vendemmia italiana: enquanto determinadas uvas brancas e precoces podem ser colhidas primeiro, variedades de maturação mais tardia permanecem nos pés por semanas. Do Piemonte à Sicília, cada território segue seu próprio ritmo, reforçando uma das características mais bonitas da cozinha italiana: receitas e bebidas carregam um pouco do lugar de onde vieram.
A colheita também chega à mesa
A vendemmia é um trabalho agrícola, mas há séculos também funciona como um momento social. A chegada das uvas maduras movimenta famílias, produtores, vilarejos, cantinas e festas locais, fazendo com que setembro tenha um sabor próprio em diferentes regiões. Na Toscana, um dos exemplos mais deliciosos é a schiacciata con l’uva, uma focaccia doce de origem camponesa preparada justamente na época da colheita, especialmente entre setembro e outubro.
É também uma boa época para lembrar o quanto vinho e queijo fazem parte da mesma conversa à mesa italiana. O Parmigiano Reggiano Galbani, de sabor muito intenso, notas frutadas e toque adocicado, pode ser harmonizado com Merlot ou Cabernet Sauvignon. Já o Grana Padano Galbani, de sabor delicado, fresco e levemente adocicado, combina com Prosecco ou Lambrusco. São combinações que ajudam a trazer para casa um pouco dessa tradição de reunir bons ingredientes e uma boa garrafa ao redor da mesa.
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Setembro ajuda a contar a relação dos italianos com a comida
Mais do que marcar a produção de uma bebida, a vendemmia ajuda a explicar uma característica central da gastronomia italiana: o respeito pelo tempo dos ingredientes. Assim como há receitas que mudam de uma região para outra, existe um calendário natural que determina quando determinados produtos aparecem com mais força à mesa. É a mesma lógica territorial presente em muitos dos pratos italianos mais icônicos, cuja identidade está diretamente ligada aos ingredientes e costumes locais.
Talvez seja justamente por isso que setembro tenha tanto significado. É um mês em que gastronomia, agricultura e convivência se encontram: colhe-se o resultado de meses de cuidado, inicia-se a transformação da uva em vinho e antigas receitas voltam às mesas. A vendemmia lembra que, na Itália, comer e beber nunca foram apenas uma questão de matar a fome, também são maneiras de celebrar as estações, reunir pessoas e manter tradições vivas de uma geração para outra.